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Vista aérea da Reggia di Caserta mostrando o palácio e o eixo de 3 km dos jardins Acesso prioritário disponível

A Reggia di Caserta — Ambição Bourbon do Século XVIII

Carlos VII encomendou em 1751 um palácio para rivalizar com Versalhes. O projeto de Vanvitelli, a corte bourbon em Caserta e a unificação italiana de 1860.

Atualizado em maio de 2026 · Equipa de Concierge de Caserta Palace Tickets

A Reggia di Caserta foi a tentativa de Carlos VII de Bourbon de construir um palácio e jardins capazes de rivalizar com Versalhes — e, por muitos critérios arquitetónicos, conseguiu. O palácio de 1200 divisões e os jardins de 3 km constituíam o maior complexo real da Europa do século XVIII. Este guia apresenta a história factual e rigorosa desde a encomenda de Carlos VII em 1751 até ao atual estatuto de Património Mundial da UNESCO.

1751-1780 — da encomenda à conclusão

Carlos VII (mais tarde Carlos III de Espanha), Rei de Nápoles entre 1734 e 1759, encomendou um novo palácio real em 1750-1751. O local escolhido foi Caserta, 25 km a norte de Nápoles, precisamente pela distância em relação ao mar (maior segurança face a ataques navais) e pela proximidade ao aqueduto Carolino (que alimentaria os elaborados jogos de água do palácio). Foi escolhido o arquiteto Luigi Vanvitelli — um arquiteto de origem neerlandesa formado em Nápoles (o seu pai, Caspar van Wittel, era um pintor holandês que se estabelecera em Itália).

A construção começou em 1752. O projeto previa: 1.200 salas distribuídas por cinco pisos, 247 metros de comprimento, 184 metros de largura, um vasto conjunto retangular com quatro pátios interiores. Os jardins foram planeados para se estenderem 3 km para sul a partir da fachada do palácio. A construção demorou 28 anos; o palácio estava substancialmente concluído em 1780, embora a decoração tenha prosseguido até à década de 1790. Carlos VII nunca chegou a ver o palácio concluído — tinha-se tornado Rei de Espanha em 1759 e reinou a partir de Madrid até à sua morte em 1788.

A corte dos Bourbon em Caserta — 1759 a 1860

Depois de Carlos VII se ter tornado Rei de Espanha em 1759, o seu filho Fernando I sucedeu-lhe como Rei de Nápoles e utilizou Caserta como residência real de verão. A dinastia Bourbon governou Nápoles (e posteriormente o Reino das Duas Sicílias) entre 1734 e 1860, sendo Caserta um dos principais palácios reais.

O século XIX trouxe mudanças. José Bonaparte, irmão de Napoleão, governou brevemente Nápoles a partir de Caserta (1806-1808), seguindo-se Joachim Murat (1808-1815). Os Bourbon regressaram após a queda de Napoleão e continuaram a utilizar Caserta até 1860, quando a campanha meridional de Giuseppe Garibaldi e a unificação de Itália puseram fim ao Reino das Duas Sicílias. O Rei Francisco II abdicou em Caserta a 6 de novembro de 1860.

Após a unificação — 1860 até aos dias de hoje

Depois de 1860, Caserta passou para o novo Reino de Itália. O palácio foi utilizado pela família real de Saboia como residência ocasional, pelo exército italiano como centro de formação e, posteriormente, como edifício patrimonial do Estado. Durante a Segunda Guerra Mundial serviu de hospital e quartel-general militar. A rendição dos Aliados em Itália foi assinada em Caserta a 29 de abril de 1945, pondo fim à guerra na península italiana.

A UNESCO inscreveu a Reggia di Caserta como Património Mundial em 1997, juntamente com o Parque Real do século XVIII, o Aqueduto Vanvitelli e o Complexo de San Leucio (uma cidade industrial da época dos Bourbon com habitações operárias — também parte da inscrição). O palácio é atualmente um sítio patrimonial do Estado sob a tutela do Ministério da Cultura italiano; recebe aproximadamente 600.000 visitantes por ano. A dimensão monumental do palácio torna-o num dos sítios patrimoniais mais visitados no sul de Itália, logo a seguir a Pompeia.

Perguntas frequentes

Quem construiu a Reggia di Caserta?

Carlos VII de Bourbon (Rei de Nápoles 1734-1759, mais tarde Carlos III de Espanha) encomendou o palácio em 1751. O arquiteto Luigi Vanvitelli (1700-1773) concebeu o projeto. A construção decorreu entre 1752 e 1780. Carlos VII nunca chegou a ver o palácio concluído — tinha-se mudado para Espanha em 1759.

Quantos quartos tem a Reggia di Caserta?

Cerca de 1200 quartos distribuídos por cinco pisos. O palácio tem 247 metros de comprimento e 184 metros de largura. É amplamente considerado o maior palácio real do mundo em volume (rivalizando com Versalhes, a Cidade Proibida e Topkapi).

A Reggia di Caserta é maior do que Versalhes?

Em volume, a Reggia di Caserta é maior. Em área total do parque, Versalhes é maior (o parque de Versalhes tem cerca de 800 hectares; Caserta cerca de 120 hectares). Os palácios são praticamente contemporâneos — Versalhes ficou em grande parte concluído em 1715, Caserta em 1780 — e Caserta foi deliberadamente concebido para rivalizar com Versalhes em ambição real.

Caserta foi utilizado por Napoleão?

Brevemente. José Bonaparte, irmão de Napoleão, governou o Reino de Nápoles a partir de Caserta entre 1806-1808, seguido por Joachim Murat de 1808-1815. Após a queda de Napoleão, os Bourbons regressaram e continuaram a utilizar Caserta até à unificação italiana em 1860.

Quando deixaram os Bourbons de governar em Caserta?

6 de novembro de 1860 — o Rei Francisco II das Duas Sicílias abdicou em Caserta quando a campanha de unificação italiana de Garibaldi alcançou o sul da península. O palácio passou para o novo Reino de Itália e para a família real de Saboia.

Porque é Caserta um sítio UNESCO?

Inscrito em 1997 pelo próprio palácio, pelo Parque Real do século XVIII, pelo Aqueduto Vanvitelli (que alimentava os elaborados jogos de água do palácio) e pelo Complexo San Leucio (uma cidade industrial da época dos Bourbons com habitação operária — incluída na inscrição como exemplo de planeamento social do século XVIII).